segunda-feira, 20 de abril de 2015

O cego.

Com a mesma desculpa, me pede a mesma reza.

Encosta a mesma descrença nas próprias dores em ruminação eterna. Em pensamentos que se repetem nas atitudes de cada dia.

O instinto nas mesas aconchegando medíocres palavras da boca pra fora.
Parecem corpos sem alma. Corpos que se distraem.
Carnes de todos os tipos desfilando em roupas de marca.

É fato a tendência dos que causam efeito, cheios de músculos.
Ideias antropofágicas.

O tempo se repete.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Em mim,

Não tinha mais cigarro, nem bebida. A conversa de bar não me era mais digerida.

Os vícios são outros.

não andava mais capengando e sabia que tinha que deixar de lado muitas coisas do passado. 
Quebrar com aquele vício de olhar para determinados desconsolos. Porque a doce tristeza não é boa.

A criança que nasce de um parto difícil nunca vai sentir. A dor não existe para ficar me encharcando e me conduzindo por enjoados momentos. Porque dor é dor, o sal e o açúcar é medido de forma sensata para cada organismo.

É ponderável o medo para cada ciclo. E não repetir dramas.

É preciso subir as escadas e se libertar de alguns hábitos para dar lugar a outros.

E a agora calar para ouvir para onde vão os passos, que estão na agulha.

Preciso ser eu, somente. E isso não é nada chato.
Para dormir em qualquer canto de mim.



domingo, 12 de abril de 2015

Pedra de sangue.

Decidiu entre dois passados. Se interpunham por todo o tempo. Impressões manifestadas e reconstruídas.

Memórias bem quistas, o cheiro de Chanel no linho, no tweed. 

Camisetas de malha que se esgaçam. A incoerência de um tempo que é tão fácil chegar ao vazio.  E o mundo repete as fases. Posturas juvenis* por existências. Portos sem cais. Ao amargo, uma trava na língua.

Entrelaçar os fios: Amor líquido. Vermelho vazio. Pedra de sangue.




quinta-feira, 2 de abril de 2015

Memória.

Sonhei que tinha muitos relógios de pulso sobre meu quarto e consultava todos. Cada um com uma referência diferente. Uma reprodução da realidade embalada, era um presente de minha terapeuta.
Morava bem perto do mar. E dentre minhas cadernetas estava cenas de 2005 bem descritas. 

Um assunto muito revisto em minha memória. Como entender um momento que poderia ter sido algo abortivo em minha existência. O lugar que tenho medo de visitar em minha mente, mas quem sempre reconduz meus momentos. E eu decidi depois de tempos ser muito minuciosa em tratar das falácias e de me aprofundar nas palavras que tenho em qualquer relação da vida. 

Estou há dez anos sempre olhando para a sala que quase me perdi. Mas acredito que não existe irreal nas articulações da mente. Ainda não consegue se explicar o que sente o espírito em sua totalidade. É ainda um mundo cifrado. 

Em 2005 o surreal se tornou evidente em minha vida, mesmo com uma ocorrência indigesta. Reencontrar o fio da vida foi coisa bem longa. As tendências mentais estão todas por trás de toda conduta moral que tenho que ter em nessa vida. O medo de perder o fio outra vez é constante e como luto. As linhas são tênues demais e uma pessoa pode sair de um polo a outro num instante. 

Percebo que sempre tangencio o surreal, mas também percebo que ainda não é o momento. Às me encontro em uma gaiola por necessidade. necessidade de me aproximar do tempo das pessoas que me comunico. Mas sempre querendo a liberdade de me utilizar de tudo que sinto e que não posso trocar com mais ninguém por completo.

Então vivo trocando fragmentos. Meias conversas entre diálogos. 
O medo do que se propõe nas palavras. 



terça-feira, 31 de março de 2015

A praça

Quando saí do meu primeiro exílio e vi a praça e vi o céu.

A liberdade me fez chorar.
Nunca se esquece o que a paciência nos faz meditar.




sexta-feira, 27 de março de 2015

Viagens necessárias em segredo.

Estar no tempo.

Observava você passar por mim. O meu relógio não estava engatilhado.
Apenas segurava a tua ampulheta e me olhava desgostosa de frente ao espelho.
Os cabelos curtos seguravam as mãos frias. Morria de medo de quê?

Estava entre a infância e a idade outra. Com um ninho de vísceras no colo, os meus nervos.
As pessoas não estavam articuladas na minha história. E eu não tinha história naquele momento.
Corria atrás de fechar lacunas. E de tanto remontar, perdi. Tanto tempo no ostracismo.
Vieram hábitos de outros tempos me abarcar. Fui buscar em outra vida a necessidade de viver.

Vi por muitas vezes a tua aura a meu favor. Aquela certeza era segredo ainda nesses tempos.
Comecei a ir mentalmente em tanto canto, viagens necessárias em segredo.



Dói

  Em casa me dói a alma a tua anti-presença Que me deixa sentir a dor da ausência Palavra mais falada  é o silêncio Mudez que faz o tempo co...