Cabeça
Alienígena
desacostuma.
Jesus posto ainda na cruz
Vício
Moralidade
sentimento de culpa
estéril.
Famigerada
agulha
espeta o pano
histórias em vírgulas
costura
oculta
substantivo abstrato
o Sentimento.
Dezembro-40 mil vidas-envelheço. No espelho nunca esqueço meus 20 anos. Tudo é memória, o presente, sábio.
sábado, 13 de junho de 2015
terça-feira, 9 de junho de 2015
Para que ter medo da loucura?
Viver reprisando mais uma vez.
Algo redundante. Estava cansada da cor estéril do esmalte. O cigarro dourando os dentes, enegrecendo os lábios. Diacho epidêmico. Agosto na vida. E quem escreveu essa obra.
Quem foi que não recriou as histórias da vida? Melinda sempre a cozer e empanturrar.
Comida encomendada pelo diabo. Olhava para o lado e um ramo de arruda para contrabalancear.
A pequena que tanto sonhava? A minha querida olhando para onde não tinha gente. Era sempre assim e eu tentava imaginar o que passava. Não era às vezes que colocava os olhos para a parede.
E eu parava e vagava meu pensamento a tal ponto que tudo ao redor perdia o foco, passava a me comunicar com o passado. Refazia uma a uma as questões ao me relacionar com o mundo. Muitas pessoas eu lembrava e de repente um gosto de sangue na boca. Fazia muitas costuras com sentimentos de mágoas e ponderava cada rancor. As intrigas iam se desfazendo na minha cabeça. Aquilo que vinha na minha mente, sentimentos que interpunham a qualquer angústia. E meus impulsos que não pretendiam reconhecer certas ousadias. Não adiantava voltar atrás dos que vêem a vida por um ângulo tão arbitrário. Que se mentem o tempo todo. A ilusão que está sempre pronta a revidar e tolher-se depois de uma intriga.
E pensava o quanto era interessante saltar de um ponto e ver a vida de fora. Qual um satélite para com a Terra. Por esta premissa, o desgosto não mais me abala. A angústia se desfaz.
Não sou eu que tive ausências, pois exilar-se é também uma forma de dizer que em algum lugar existe o não-exílio. Para que ter medo da loucura? O reflexo de uma loucura está no profundo da alma. E quando me tenho raso eu simplesmente adoeço. Porque não dá mais para ver certas coisas quando se prefere a superfície para nunca temer o óbvio que é a vida. Então pretendes encarnar sempre do mesmo ponto para sentir somente uma parte do existir. A dor é o revés da tolice.
sábado, 6 de junho de 2015
Freud e Nietzsche, coca-cola nos findis.
Tudo começou por um.
Depois do filme já morava em outro lugar.
Em menos de seis meses já estávamos juntos. E eu comecei a lhe ajudar nos estudos.A comprar livros de Neruda para ele. Neruda também era popular em seus dias como nas prateleiras de todas as livrarias. Eu gostava de Nietzsche e ele de livros que vendiam ao longo das filas dos supermercados.
Falei de Buda, de Freud, mas também de música americana. Ele conseguia escutar eu falar de Elis, de Clarice, de todas as nostalgias que tinha. Escutava e sempre me fazia rir.
Sentia-me sem preocupações maiores e quando estávamos juntos, mundo dentro do mundo. Esquecia de quase tudo. Leveza e palavras complexas.
E hoje além de Neruda, cinema da fundação, viagens. Adoro café e dançar, coca-cola nos findis,
sair junto. Trocou o tênis por um dockside. E dorme porque amanhã trabalha cedinho.
Depois do filme já morava em outro lugar.
Em menos de seis meses já estávamos juntos. E eu comecei a lhe ajudar nos estudos.A comprar livros de Neruda para ele. Neruda também era popular em seus dias como nas prateleiras de todas as livrarias. Eu gostava de Nietzsche e ele de livros que vendiam ao longo das filas dos supermercados.
Falei de Buda, de Freud, mas também de música americana. Ele conseguia escutar eu falar de Elis, de Clarice, de todas as nostalgias que tinha. Escutava e sempre me fazia rir.
Sentia-me sem preocupações maiores e quando estávamos juntos, mundo dentro do mundo. Esquecia de quase tudo. Leveza e palavras complexas.
E hoje além de Neruda, cinema da fundação, viagens. Adoro café e dançar, coca-cola nos findis,
sair junto. Trocou o tênis por um dockside. E dorme porque amanhã trabalha cedinho.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Um piso planta.
Estava prestes para mudança e por isso não morri.
Aliás, Morri de uma forma nova.
Com sala e quarto.
Fui assassinada e sufocada por uma rotina bem peculiar.
Regada a vícios alheios, pancadas no ânimo.
Não fazia nada mais que alimentar com doses assassinas de silêncios.
frustração.
Enervava-me escutar os programas cheios de assassinato.
Já não assistia nada. Chegava do dia cansativo, quando chegava.
O meu canto não existia.
Sem falar muito saí da mira e de casa.
Reformei o meu piso.
Ao lado um companheiro incrível.
Quase nunca quero ver noticiários sangrentos e guerras familiares.
No berço saudades e delongas.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
A ideia do pássaro , um emblema.
In memoriam A ideia do pássaro
(Demian, Hermann Hesse)
Versar por dois
Dois que altera o sinal
Um emblema
Cruza
e não diz nada.
O que é um
que morreu
tantas
vezes?
Um emblema
passado que cansa
E quem nasceu
só para mim,
Invisível
Pedaço de mármore
dividindo
nossa entranha
Sombra por sombra
E o passado
ao passado
ao passado
o regresso
dilata o poder
domina-se
aflito
pelo corte
e o que se sabe
paralisa
ao passo
do tempo
desse tempo.
Pessoas nuas, muito nuas, pelas ruas
carne e osso
E o peso do espírito
Desdito.
Olho
invisíveis
vadios
um emblema
de marketing
A boca sem carne
É como ter holofotes
e retinas acesas,
ressecas, exautas.
Olhos abertos
no cloro da piscina.
terça-feira, 26 de maio de 2015
Que pasa?
E eu penso em te ligar.
Mas com quem eu gostaria de falar já não existe mais.
Agora alguém de vestidos fora de moda segue a vida.
Com uma ideia equivocada.
Mas com quem eu gostaria de falar já não existe mais.
Agora alguém de vestidos fora de moda segue a vida.
Com uma ideia equivocada.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
SONO
Por muitas vezes antes de dormir sentava em minha cama e dentro de minha prece pedia para ter com uma pessoa muito próxima a Deus.
Estava com uma dúvida, dúvida grande e obstinada.
Deitei depois de mais um dia e quando me desliguei dos pensamentos mais superficiais, deixei-me entorpecer a mente e comecei a construir um ambiente. Estava certa que ia me encontrar com alguém de alma fraterna, uma pessoa de energia que aconchegava e aquecia o meu corpo. Mesmo não vendo ninguém de fato, não conseguia deixar de me compadecer com aquela sensação tão suave.
Aos poucos fui percebendo que o lugar em que estava meu corpo não era meu quarto, Estava num leito em estado de coma e quando rezava todas as noites por uma dúvida era porque me angustiava não saber se iria voltar a viver. Mas até este momento tinha sido poupada do que acontecia com meu corpo. E minha alma estava num mundo paralelo em que pensava que estava viva. Sempre rezava por esta dúvida, que não tinha noção do que realmente era. Mas rezava por um impulso.
A pessoa que me veio, uma pessoa próxima a Deus, era minha mãe que seguia com muito amor a interceder por mim. E de repente a vejo ao lado do meu corpo, dentro daquele ser vi o sentido pungente de nossa ligação nesta vida. Senti emoções que estavam impregnados em meu corpo e como gostaria de lembrar quando a ele retornasse. Seria tão simples vencer cada paixão demasiada que se entranhava. Mágoas que iam e voltavam, a carência afetiva tão desnecessária na eloquência de uma forma equivocada de apego.
Regressei para o meu corpo, levantei e mais uma vez não sabia o que tinha sonhado. Na mesinha ao lado da cama meus comprimidos habituais e o medo de não achar mais a minha mãe em casa. Meu quarto a se arrumar.
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