sexta-feira, 13 de março de 2015

Para ninguém entender.

Treze de março de 2015



Às vezes me espanto com imagem das coisas.

A imagem de mim
transfiguro
E tento converter
em me reconstruir
tanto pranto
que me deste

E o que foi que te fiz?

Foi de dor que partiste
nas contas de vidro
Virando as marés

Mar revolto
e eu não escondo
a prece

Recuperei
meu corpo
perante
tua falta de fé

devagar
olhando de longe
os olhos
em cada pedaço
da tua insegura ladeira


te vejo
E te esqueço

Devolvo
a bala
a culpa
E cuspo
teu peso.






quarta-feira, 11 de março de 2015

O corpo de fora

Onze de março de 2015.

Antes fosse tocar uma alma.

A pele é algo de cru. Um tanto difícil. É preciso acostumar-se com a carne entorpecida. De um asco que não permite.

Desvelar um luto. Retirar qualquer interesse pelo outro de não sei onde. Estou dentro do sol sem meio termo. Intolerante a quase toda discrepância. Percepção do outro que em mim não apresenta nenhum peso. A indiferença e o estômago se revira com o ter que estar.

Inexiste até agora um ser que me retire desta blasfêmia.

sexta-feira, 6 de março de 2015

E o amor, e o amor.

Estava comigo tudo.  

Olhei para a parede azul do quarto, o meu tão estimado canto com todo decente carinho. O cheiro do lençol, o meu cheiro e o meu corpo depois de todo o dia.
Vida de alma mansa e todos os afazeres etiquetados passo a passo. A sensação de cumprir com a vida e ter direito a fazer o que quiser. E hoje eu tinha um trocado a mais e um tempo para ficar na cama. 

Comprei dois cigarros e uma comida. E não comprei mais nada. Adorava não precisar.
Havia tempo não cismava com nada e leve, pensamentos leves. A lembrança que tive de ti. Desprendida de qualquer rancor. 

Sempre que você entrava eu olhava os seus sapatos. Não estavam na moda e eu gostava disso. Gostava aos poucos e aos poucos. fazia tempo que eu me interessava por alguém antes de pensar. O raciocínio ficava longe, tornava os meus olhos infiéis e costumava fitar o teu rosto por muito mais tempo. mas era tudo tão simples, parecia que estava em outro discurso. Já não esperava. Começava o desapego e o amor.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Grávida.


O velho corpo
caminha e vejo
no perfil de um negro
o descanso que não morre.

A descrença vadia sempre
vagando entre meu celeiro
Há tempo que não sei  de nada.
Acostumei-me a não dormir em desalinho.

Encontrar palavras revestidas,
destorcidas e moduladas pelo meu viés.

A desconfiança antiga,
moro nela.

Insuportável
A preguiça e
a falta do pensamento
criativo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Hora de entrar na água.

Disseram para não esperar. É preciso ser feliz agora.
A frase muda tudo.
E um discurso antecede o outro. E o poder sobre alguém é transitório, mas é do homem se iludir com o poder. Ah, se eu pudesse esquecer a sintonia da sintonia.
Desatarraxar o medo do medo do medo da vida. E viver em qualquer canto com pessoas que cativasse todos os dias.
Felicidade agora.

E o corpo se desprende sempre que raciocina: ninguém pode boicotar sempre.
A felicidade está mais no desapego. A felicidade anda suspensa em minha vida. E quando paro um pouco ela cai sobre meu corpo e afaga o meu ser. Às vezes me afasto das pessoas por medo, pois já tive que reformular alguns valores de vida. Com tudo encontrei o silêncio e a minha companhia.
A felicidade anda comigo e aos poucos consigo senti-la quando estou com outras pessoas. Mas nada melhor do que estar com ela quando estou só. Em trânsito quando pedalando ou caminhando, penso muito e tem coisas que fico rindo. Quando posso desvio meu pensamento do escuro, são exercícios mentais que me trazem a leve sensação de felicidade. Parece que estou na mesma densidade da água.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O filho

Eu tenho silêncio e fé raciocinada.
Eu tenho a mim e só Deus sabe.
Caminho grande de gente crítica.
Só Deus sabe dos planos,
dos meus planos.

De tanto desapego que tenho pela frente.
A imagem do deserto
ermo de pensamentos
De nenhuma esquiva
A não ser dos vícios
nas veias.

E a certeza de que chego.
Bem perto da sabedoria,
do amor verdadeiro.

Dói

  Em casa me dói a alma a tua anti-presença Que me deixa sentir a dor da ausência Palavra mais falada  é o silêncio Mudez que faz o tempo co...