Em todas as vezes que pude nadar foi incrível.
Senti a fluidez dos meus sentidos e dessa forma recortei a tecitura
Era como os prazeres me descompensassem por muito tempo e a sensação tão pequena do orgasmo ultrapassasse o sentido puramente sexual.
É como estivesse num estado tão líquido misturados com sensações mentais extremamente fortes e de lúcido sentido.
Era como se naquela piscina eu me misturasse ao plasma que poucas vezes percebia envolto nas outras pessoas.
A possibilidade de não mais ter segredos e nada do que me permitia sentir estivesse errado.
É como se estivesse numa atmosfera em que a significação corporal fosse quase líquida e ao mesmo tempo misturada às outras pessoas. Enquanto o corpo estava desperto, a alma era aquecida a uma temperatura indomável.
Nessa teoria não havia espelhos.
Percebi que tinha perdido a audição. E um silêncio tinha começado a fazer parte da nova composição de minha atmosfera psíquica.
Agora caminhava de forma suave apesar de ainda não ter desapegado as marcas. Olhei então para o chão de minha casa e estava coberto de signos linguísticos, de folhas de jornais em recorte. De molduras prontas para fotografias importantes, coisas para reconhecer e elevar o ego.
Olhei para porta e ela estava aberta, retornei o olhar para o meio seio e descobri que quem eu imaginava que a já não era mais. Estava em outra reencarnação que não sabia em qual ano nem lugar. Mas ainda estava visitando aquelas lembranças. Olhei pra minhas sandálias e de repente olhei pra meu corpo novamente e estava entre pedaços do que eu era e do que sou.
A imagem que tinha das impressões de todos os movimentos que faziam estavam em repetição o tempo todo. Alternava aquelas sensações há muito tempo. E aos poucos comecei a refazer as sensações e voltar a ter uma só realidade. Nesse entretempo eu reconheci pessoas que não fazia ideia de onde vinham. Mas comecei a me incomodar com todas as lembranças fortes que não permitiam que pessoas novas encontrassem espaço em minha vida. Aprendi aos poucos a suportar uma ausência que levava a estagnar a minha sensibilidade.
Descobri que não preciso de reconhecimento e nem de quer nada além do que já existe dentro de mim,
*A primeira parte do texto foi quando perdi minha consciência e fiquei em coma.
Dezembro-40 mil vidas-envelheço. No espelho nunca esqueço meus 20 anos. Tudo é memória, o presente, sábio.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
O sonho
"Vai ter uma festa
que
eu vou dançar
até
o sapato pedir pra parar.
aí
eu paro
tiro
o sapato
e
danço o resto da vida."
Flor de Açucena
Não mais e véspera
Não tão hermética
Um ser extremamente claro me presenteou com sua companhia
Desde que chegou branqueou meus dias
Mas que olhos verdes, infantis, luminosos
A melhor pessoa que me aconteceu nos últimos tempos
Que se deita e acorda comigo
A quem acaricio e faço dengos infinitamente
É lindo cuidar de um ser
Meu doce apego
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Estar no eixo
Estar no eixo
na condição de umbigo do mundo
Faz ter uma noção muito pequena
da realidade.
na condição de umbigo do mundo
Faz ter uma noção muito pequena
da realidade.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
As palavras
O corredor era tão iluminado e ela sentava sempre na sala
depois do jornal.
Colocava o corpo silenciosamente dentro do pano da
espreguiçadeira e tomava um café. Seu corpo era longo quase tapava toda estampa
da cadeira. Hoje comprara a canja, Aninha estava doente. Lis não sabia cozinhar
e nem arrumar casa. Todo seu trabalho era confeccionar os livros que vendia. De
noite empurrava a bicicleta carrinho e rodava as praças da cidade. Lis e Pérola
tinham um selo cartonero que se conheceram em mais uma das oficinas literárias
que faziam. Ser escritora era algo que unia as duas, algo grandioso que estava
por trás das palavras.
A palavra era a coisa que mais trazia vida a Lis, era
tudo que tinha de mais honesto. Pegou suas cigarrilhas e tratou de gastar o
batom em seus filtros e a sentir um prazer que era sempre rotina. Como era ter
rotina. Não fumava muito, apenas o pouco para que tivesse coragem de se
levantar e colocar uma boa roupa e calçar um dos seus pares de tênis. Dessa vez
tinha caprichado no papelão e usava tintas para fazer as capas do seu conto que
tinha virado um livreto. Chamava A Mulher das Pérolas, afinal a verdadeira
mulher das pérolas foi muito especial em sua vida. Tinha saudades de pessoas
que trazem uma realidade tão incrível, mas aos poucos decidiu curtir a saudade
de outra forma. Pois o caminho segue e é preciso deixar as pessoas em suas
realidades. Realidade é algo que se contrapõe na vida e até quando temos a
nossa e não precisamos de comparações e insegurança. Enquanto trabalhava Lis
vivia uma realidade concreta e todas as outras que surgiam em sua mente eram
muito mais imaginativas do que as outras.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Capitu
O mar de ressaca em teus olhos
Que não mais vejo
Um mar de ausência
Um mar.
Que revolve a areia
Ondas por cima de ondas
Teu mar verde
E minha inconsequência
de olhar a ti em amoroso
desatino
A pessoa que reencontro
nesse mundo
Como amor maior
Puro e livre
Que não mais vejo
Um mar de ausência
Um mar.
Que revolve a areia
Ondas por cima de ondas
Teu mar verde
E minha inconsequência
de olhar a ti em amoroso
desatino
A pessoa que reencontro
nesse mundo
Como amor maior
Puro e livre
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