quinta-feira, 12 de maio de 2022

Leia Recife, Leia Caldas Novas

 






uma criticidade diferente hoje em dia.

Lidar e lutar pela condição da mulher e do racismo. Sororidade, pensar no coletivo. Ter na leitura uma atitude a partir do momento de debate, de ter voz e desabafar. Maneira de estar perto e da união das ideias.

Leituras e encontros em Recife e Caldas Novas.


.-

Morfologia da dor-Julia Larré

Almas sonolentas- Carola Saaverda

sábado, 7 de maio de 2022

Amor, meu tempo





 "Vou viver como alguém que espera um novo amor"


Amor Clarice

Hilda Hilst

Amor de Vinícius

Chico 

Do meu tempo

Vivo



sexta-feira, 22 de abril de 2022

Solidão é meu segredo, meu ouro.

 






O mar era um som maior diante minha vida interior. Medos se perderam, meu pai estava lá.

Não tenho saudades nem cansaços. voltava pela primeira vez a cidade que vivi por 36 anos. Lugar tão vivo, imagino todas as risadas, de ir até a o Parque Dona Lindu de bicicleta para ler, escrever, comer um pedaço de torta sempre no mesmo lugar.

Era sempre desafiador sair aos domingos, às vezes ocupava o tempo outras o tempo demorava a passar e voltava para casa com muita solidão. Sensação que também faz parte, hoje a solidão quase não me é percebida. Criar casca e se dar melhor com as coisas da vida.

Quando lembro daqueles domingos, eu me sinto mesmo feliz. 

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Menina

 

  


         Camila que conheci e que fez dissolver nervosismo e mágoa. Que tem 16 anos. Menina que presta atenção nos peixes pequenos da Água Mineral, que olha com calma. Pessoa que não é de Brasília, que não mora em Brasília, que nem trabalha e mora numa cidade satélite com todos os segredos do mundo de toda sensibilidade. Ela salvou o meu sábado e me fez fazer uma boa prova no domingo depois de uma conversa de poucas palavras.

terça-feira, 29 de março de 2022

Ontem conversei com uma escritora.





 Ontem eu conheci você e quando entrei no ônibus eu senti a calma de quando eu realmente conheci alguém de verdade. Não quero sair daqui, o lugar que lembro sempre é Itamaracá e caminhar pela cidade. Sei que voltarei a Recife para ter dos amigos uma conversa amiga e tomar um café no Cinema da Fundação. 

Os amigos de Brasília e já me sinto daqui. Ultimamente tenho cuidado mais das lembranças pois elas me trazem para o presente. Minha mãe e a mim.

Hoje eu entrei no ônibus e lembrei de ontem, da Carola Saavedra e de seu livro e de Macabeia e  da Paixão segundo GH. Constatei a certeza de todas as repetições para acertar na vida.


domingo, 27 de março de 2022

A falta de medo

 



Já não reconheço o aposto de uma solidão

Cada dia a menos

de um morrer que não existe

Tudo a seu tempo

Trabalho, a tua companhia

A falta de medo

de ti

de ser diferente

para gostar sempre da vida

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Cecília vivera mais


Crônica, 2010.


      

Cecília vivera mais.
Dias sem o tempo e a complicação das ruas da cidade, do cheiro irritado e miserável de quem busca o que nem sabe achar. As migalhas dos lugares ocos, os porres de uma vida amarga. Era mesmo um nervo a cada cigarro e no findar do dia, sobrava a expectativa de um amanhã diferente. O sabor da sujeira na alma era o pior de tudo depois de passar por tanta gente que traz a mediocridade nas veias e feridas expostas revestidas de uma forma de prazer inútil, destrutível, incansável. Então mais um cigarro para ver que quem está do lado é mero prazer “sobrevivente” que levanta da cama antes que a noite acabe. A mais louca ilusão que sentia Cecília, o vazio.
Era assim que voltava para casa, exausta, sentada no banco do ônibus e fumava o último cigarro daquela madrugada. Nesse instante parou e lentamente olhou para si como se desconhecesse aquelas mãos, as unhas num vermelho vivo, estava cansada de tudo. Mais uma vez não entendia por que estava voltando ou por que procurava aquele apartamento do outro lado da cidade. Não era seu mundo. A começar pelos sobrados de cômodos claustrofóbicos. Talvez aquela realidade fria trouxesse algum prazer, ou quem sabe a forma com que todos ali buscavam a felicidade. Era como se os impulsos inquietassem mesmo a vida. Não querer entender, apenas sentir. Isso era tão importante.
Foi assim que Cecília sentiu Antônio, como um devaneio a cada semana no cúbico espaço em que morava.

Amor bruto. Se é realmente esse o nome do devaneio mais inimaginável de Cecília. Mulher sensível a buscar o gosto de um homem de barba mal feita.
E como num ritual uma vez por semana, chegava e sabia o quanto era bom esperar Antônio e seus rompantes eufóricos e as mãos que tocavam suavemente. Euforia que se traduzia numa intensidade lenta a percorrer a noite.
A verdade é que para Antônio ela era o amor que nunca teve. A mulher doce e sensível de traços delicados. Tanto quanto ele,ela também era plena em sentir, desde o cheiro das coisas, como a força de cada olhar e o medo de perder.

E nesse medo de perder e mais ainda no de se achar é que Cecília começara a perceber naqueles olhos o que chamara de bruto amor. Era mesmo bruto, pois o que não tinha amarras, apavorava.
Era a falta de limites, sentir, sensação de liberdade. A ilusão de que podia chegar e sair sem hora e sem ninguém a lhe cobrar mero gesto de apego.
O fato é que nunca conseguiu entender que fugir fosse pior do que esperar o dia amanhecer e aceitar o quanto queria voltar quando a noite batesse. Bruto amor era não se deixar.
Não sentir o gosto da água nos lábios ressecos de tanto falar em silêncio, era negar apego tão grande por quem só lhe fazia bem.

Mas como estranhava tudo quando deixava aquele canto. Mas do que nunca criara dentro dela aquele lugar que respirava o silêncio Antissufocante do mundo. Forma insana de amar.
Cecília vivera mais, o que não tinha de ser.

Dói

  Em casa me dói a alma a tua anti-presença Que me deixa sentir a dor da ausência Palavra mais falada  é o silêncio Mudez que faz o tempo co...