Dezembro-40 mil vidas-envelheço. No espelho nunca esqueço meus 20 anos. Tudo é memória, o presente, sábio.
segunda-feira, 20 de março de 2017
As horas da noite.
Às vezes eu reconheço
enquanto estive entre paredes róseas
Sensação indigente
Olhos e íris sendo brancas
O mundo sendo o mundo
Latente necessidade humana
Sedenta por uma alma que possa caminhar e ter sua própria sandália, ter sua própria essência respeitada.
A delicadeza de ter uma dignidade, para nunca mais vestir as roupas que foram de outro alguém.
De não precisar ficar calado para não ser visto como insano e assim maltratado pelo sistema.
Alguém que não precise guardar a agressividade pela contestável injustiça, mas que deixe fluir o que traz a angústia e que esta não seja somente sufocada dentro de uma vida retirada.
A falta de afeto em uma rotina, a falta de saúde, tristeza prevista para toda vida.
Entre um Sol e outro
Um homem divaga
Irresoluto,
pela Luz do Pai
entende cada dor
sem desespero
Dor que tem seu tempo
Vive cada Sol e a sabedoria da vida.
terça-feira, 14 de março de 2017
Antes de cada anoitecer.
Em companhia de meu silêncio
Na quietude do tempo
Adormecer
diante do calor do Sol
Sensação de voltar para casa.
sábado, 4 de março de 2017
Divinos campos de lavanda.
Muitas vezes há uma familiaridade maior diante da vida. Uma sensação suave, como estar num campo de lavandas ou na certeza das pessoas mais afáveis. O que interfere no barulho e na linha limítrofe de quem percebe bem mais do que precisa, O mundo e a constante necessidade de ser extraterrestre, de reconduzir tudo a uma gentileza espiritualizada que não teme a noite tanto quanto o tão sinuoso destino humano: incoerente corrupção em que vivem os retirantes de luz divina.
O que faria sem a sensação dos campos de lavanda que me lembram do sentimento acolhedor e afável da vida? Introspectivo poder de sentir um amor elevado diante de grandes rebuliços e me sentir feliz.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
Existe sempre afeto em minha casa.
Quando se descobre que é só. Acontece um estranhamento.
Mas depois desse primeiro momento, de forma racional vejo que fui só sempre quando estive muito triste e em muitas horas em que tive que compartilhar a minha alegria. Solidão que permite aos olhos o entendimento do outro, das fraquezas do outro. Sem cobranças.
Sem atribuir maiores carências, tentando não computar ausências, retirando sempre muito da falta que sinto de afeto. Esse arquétipo frio da vida em que não existe colo nem afago. Percebo que sempre fui a minha família em relação ao compartilhar de quase tudo que conquistei na vida. Faz muito tempo que sento sozinha na mesa para fazer as refeições, que passo a qualquer instante pela sala sem ser notada, faz muito tempo que me preparo para chegar em casa pois existe uma frieza que não cabe de lugar de onde venho pelas as amizades aconchegantes da vida.
A minha casa quase sempre bem dentro de mim, é quando ser só me liberta.
domingo, 19 de fevereiro de 2017
A infantil necessidade da matéria.
Confortável é ter desde os pés,
a transparência de quase tudo.
verdade.
E um sorriso no canto da boca
blasfêmia
Fraqueza sem estima
ter o descartável como eixo
necessidade ilusória
infantilidade permanente
cegueira da vida.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
" Às vezes a vida volta."
Por acreditar,
Não me atenho ao tempo.
A partir de então apenas a sensação de mim em toda existência.
E é como se eu descobrisse que a força
Esteve o tempo todo em mim
E é como se então de repente eu chegasse
Ao fundo do fim
De volta ao começo
Ao fundo do fim
De volta ao começo
[Gonzaguinha]
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
O que pude fazer com o meu tempo.
o cigarro pelo silenciar
dorme em outro tempo,
invernos não se reconhecem mais.
Certa beleza
Aceitação da noite.
Meu corpo
E o quanto posso ser
Estar comigo nunca foi tanto.
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