sexta-feira, 17 de junho de 2016

Carta na mesa & Por que não um pequeno segredo?



Ciclos e Ciclos
que se mudam quando o pensamento evolue.
Pensamento influencia as atitudes.
Novos pensamentos, novas atitudes; mudança de escolhas.
Mudam-se lugares frequentados, amigos refeitos. Vida mais inteira.
Desafio de estar só se reconfigura e também a forma como se vê o amor por outra pessoa.
Amor sem egoísmos, amor mais próximo e compatível aos verdadeiramente verdadeiro.
Amor que não está nos bares e farras sem motivos.
Amor, Amor.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Amor Cora Coralina.


















Hoje eu fui conhecer o lugar onde viveu a pessoa que mais amei no mundo. Encontramo-nos muitas vezes nesta vida até que ela faleceu e me deixou como herança o aprendizado de uma vida além de me cobrir com um afeto muito inteiro e profundo, desses que não geram apego ou dependência. Dessa mulher sábia, eu aprendi o valor do silêncio e da convivência sadia. Aprendi uma noção de quase tudo desde o que estava para o intelecto assim como ter a dignidade de transitar por todos os lugares. O poder da indulgência. Como era lindo esse ser que tanto afagou a mim, aura tão luzidia. Alguém que amava sem necessidade, o amor que tanto liberta. Pois o amor de verdade faz sentir a essência e assim aprendi que não preciso estar todo o tempo com as pessoas que mais  me sinto bem. 

Fui ver onde morou, vivia em um quarto nos fundos de uma casa muito grande. Uma porta estreita dessas que se compõe de duas portinholas. Uma cama, uma pequena escrivaninha, uma estante de madeira com alguns livros e objetos, era tudo tão incrível. Mais uma vez Cora me surpreendia, pois em ver tudo me deu uma saudade da ternura que passava, algo que já não se tinha muito por aqui. Conheci as pessoas que moravam na casa grande e pensei como aquelas pessoas tinham muito conforto material entretanto existia nada mais que vazio, um vazio interior intrínseco em todos cômodos cheios de luxo e mais nada. Antes de sair fiz questão de entrar novamente na casa de Cora, de sentar na beirada da cama, de passar a mão levemente nos lençóis macios com bordados delicados para levar comigo a lembrança da sensibilidade aguçada de um ser humano. Como era bonito aquele refúgio, a beleza tão simples do único cômodo de quem se dedicou às coisas mais incríveis e que trouxe tanta luz para muitas pessoas atuando como professora da vida e poeta. Quando morreu, eu já possuía tanta coisa. Aos poucos me ensinou a escrever e ensinar, preparou-me das incoerências da vida e de como ficar bem longe de toda mediocridade humana. Quando já não pude conviver com Cora, eu já era feliz simplesmente por gostar de viver quando tudo ia bem ou não. O maior ensinamento de Cora e que me libertaria por toda a minha vida.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

À toda marginalização do óbvio.






O cansaço quase autônomo da mente dentre o cansaço sincero das pernas que estão nos pedais e que fazem a catraca girar para as rodas seguirem nos trilhos feitos de maneira a sempre saírem do eixo na ideia da quebra, da marginalização do óbvio.
E os afoitos, que não só afoitos, costumam viver em telhados de zinco quente assim como os gatos, mas somente suportam tal condição porque pressentem o que não está posto ou preso ao que cabe somente a este mundo. É como se um limbo existisse e que o pensamento rasteiro não consegueisse alcançar, algo que transpassa todo sentimento de catástrofe e que tanto incita o apogeu de tudo que chamamos de loucura. Entre sequelas e melindres, é preciso ser a não-potencialização do que faz adoecer. 
Pensamentos que vão e vem quando o corpo em pedais, o embate e a racionalização das impressões perante o que concebe a minha vida. Situar e desconstruir quase tudo e seguir adiante, filtrando atitudes pela prudência e pela harmonia de um existir sem se anular.

sábado, 28 de maio de 2016

Por entre portas e janelas.
















Aquela casa era minha. Por muito tempo eu pegava uma das cadeiras do terraço e ficava na calçada de maneira que eu pudesse me voltar para a fachada da casa e achava lindo aquele tom de verde que cobria naquele momento o que se deixava exposto, com uma calma conquistada aprumava o cigarro na boca e já conseguia sentir o gosto do café depois de um dia de trabalho. Entretanto o afã de me permitir e me sentir amada era para mim um princípio, um começo. 

Sensação de quem ganha um presente e  perde as estribeiras pelo fato de ser bom e permissivo, lidar com o que vai além do esperado para uma vida. Naquela casa sabia a medida de cada parede, mas nunca consegui mensurar a quanto estava o teto para o chão, porque neste cálculo existia muito de Deus em cada pertencimento, a firmeza de que certezas humanas eram referências incertas e o que realmente era por mim permitido era não me preocupar com distâncias, nem vazios. Instintivo, pensava comigo, construir paredes tendo dentro delas portas ou janelas. Pois era quase impossível se conceber a amplitude do horizonte e sem a ausência de arquétipos. A moldura na parede sempre ajustada pelos pequenos parâmetros de uma linha limítrofe que está entre o chão e o teto concebidos e assim começos e fins, finalidades, antagonismos e afirmações, 
Depois de estar a refletir ali sentada na cadeira de frente para a minha casa, de entender que já tenho em mim um pouco de amor, levo minha cadeira de volta e depois de fechar a casa, eu volto para onde cabe o outro, e entendo que a minha mente refará todos os dias a sedimentação e isso se fará toda vez que me der ao mundo. O que promove uma dor extrema, pertinente, permanente rasgar-se por dentro o que está para o que transcende, o nada óbvio de todo universo. 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Quando os olhos não se deixavam ver.

Sentou entre a palavra e o papel. Como às vezes acontecia.
Desdisse os medos, as impressões do que entendia que o mundo fazia dela.
Os músculos respiraram e se deixou a tensão, o corpo pode ser.
Já não imaginava chicotes repuxando as suas costas e as panturrilhas, sempre pronta para batalhas.
Como era bom viver sem sociedade.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Redenção

Sonhos me libertam de sonhos
Mágoas e obsessões
Meu ser pequeno de pequena alma amplificada
o tempo suprime
Imagem cega se desfaz
Durmo e questiono
A imagem influente
Manipulada Manipuladora
Liberto-me das proporções ilusórias
Desfaço-me de ideias fixas.

A infelicidade, é a alegria, é o prazer, é a fama, é a agitação vã, é a louca satisfação da vaidade que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento que atordoam o homem sobre seu futuro. A infelicidade é o ópio do esquecimento que chamais ardentemente.
A felicidade é muito mais colher os frutos, o que o presente projeta.

(Trecho de Infelicidade real. Evangelho segundo o Espiritismo)

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O vestido preto e branco.

Viver em outro mundo. Faço tanto isso. Ontem à noite antes de dormir, eu fui no mesmo lugar e estavam as folhas de outono e você com sua roupa clássica de cavalgar
. Mais um lugar que reconheço por entre os olhos fechados,

O repugnar do instinto não estar junto ao afeto. Ou o amor ou o sexo, quando estará tudo em constante concatenação? O extinguir o controle do corpo e eu continuo esperando mais de uma relação. Em momentos penso que sou praticamente virgem e prefiro não constatar a minha falta em cada relação que foi um dia.
Em teu peito após o desejo sexual atingido, as folhas de inverno. As botas que vejo também em mim.




Dói

  Em casa me dói a alma a tua anti-presença Que me deixa sentir a dor da ausência Palavra mais falada  é o silêncio Mudez que faz o tempo co...