domingo, 11 de outubro de 2015

Porque me vieste com tanta importância.

Há muito que escrevi essa poesia. Dez anos e sempre tentando dignar. Hoje passei pelo mar e a sensação que me veio foi o quanto foi imensa a importância de minha tia em minha vida. Era ela o próprio mar em mistério e beleza.


In memoriam à Tânia Maria de Almeida.






O mar,
quando não estás,
quando nunca mais,
Apenas pensar.

Caminho do mar
E tudo estará dentro de mim
A vida é cada parada, uma partida.

E se não estás,
vou até o mar.



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A TUA VISITA









Uma vez por mês a tua visita.


Morava só. E tudo contado, no armário da cozinha, nas contas do mês. O que sobrava era o que pagava uma caixa de bombons Garoto que me rendia um chocolate ao dia. Depois do jantar, sempre depois do jantar. O pó do café estava no fim e ainda faltavam alguns dias para receber. Ah, se soubesses que quando vens me visitar, a feira acaba mais rápido. Que às vezes, me falta e tenho que retirar uma refeição todo dia para poder chegar ao fim do mês. 
Chegas e comes mais de um chocolate do único gosto doce que suponho ter. Já faz tanto tempo e nunca me acostumo. Mas não sei como dizer que não quero, na verdade não é querer. 

Sei que tens um trabalho melhor e que em tua casa tens além do supérfluo. E sei também que não entendes nada de mim. 
Desarvorado egoísmo que não se mete, que olha e não se envolve. Que retira a mão para não selar.

Pensativa, reconto os bombons da caixa e percebo o quanto me falta a doçura depois do jantar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Si.


 



Agora estava toda.

A sala estava posta, estava de fato e comigo.
O que importava já não importava há muito tempo. Os diálogos permaneciam nos becos afastados dali. Olhei para mim e vestia um vestido preto e básico. 
Havia em mim um pertencimento de mim, sabia onde começava e terminava a minha vida. Por anos tinha sido retraçada por pessoas e nunca por mim totalmente. Nesse tempo senti quase nada, sofri de impermanência. Vivi a discrepância de contar-me pelos outros.



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O desejo




Homens crus
Exibindo pedaços
Entre roupas
curtas e apertadas
Pedaços de carnes expostas

Mercados e preços
Igualmente cru
o desejo

Inerente
fácil
Necessário
Descarte

Carne pigmentada
Tende ao obsceno
O deleite sem
estender-se

Para mim, pequeno
Quase inacessível
Quando me agarro na
fome do espírito
a certeza
do sensível

Na inteireza do meu ser
Que não caresse muito possuir

Aprofundar-se
Entreter-se no EU e no OUTRO

Através do que está na mente

O deleite
desregrado
Recorrente

O desejo
que arde
e me apaga
os sentidos

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Um certo tipo de posse. Disfarce egoísta.







Entre vírgulas, o ter.

Posto o aposto
Retira-me em vírgulas
Entre o sujeito
E todo predicado
E cria todo um mundo paralelo
Dentro de teu contexto.

Refiro-me
A ti
Em total particular
Sem interagir
De forma direta
Em teu universo.


domingo, 20 de setembro de 2015

Amar por inteiro o outro: um colo em permanência.



Às vezes eu queria somente me entregar
E poder ser frágil
Estender as dores
para quarar ao Sol

Deitar no colo
da pessoa que me deixa ser
e não sublimar ou ter que suportar
o cansaço da lida

Queria viver mais o que está
dentro mim
Aquilo que almejo
em segredo

O amor em beleza
Sutil
fascinante
e doce.

Queria não engolir
certas atitudes
cruéis
caminhar
sem carregar nas costas
tantas ofensas
para trabalhar sozinha

Queria me desarmar
por completo
Não trazer tensões
para minha casa interior

Queria me estender
com total confiança
em ti
Queria não acreditar
apenas em mim.

Queria amar por inteiro
o outro.


Dói

  Em casa me dói a alma a tua anti-presença Que me deixa sentir a dor da ausência Palavra mais falada  é o silêncio Mudez que faz o tempo co...