Essa coisa de sonhos.
Costumo sonhar muitas vezes em mesmos lugares. No sonho eu identifico decido e me certifico que já conheço.
Às vezes sonho igual e parece um dejà vu.
Tem vezes que procuro o lugar.
Existe uma praia que sempre vou e que nesta mesma praia eu decido me afastar para um lugar que me faz sentir um bem muito grande. Vou caminhando até chegar ao mais confortável da alma.
Já ouvi pessoas falando comigo, que vinham todas as noites. Pessoas totalmente não lembradas e que nunca vi nessa vida.
Às vezes posso escolher dentro do sono o sonho que quero. É bom decidir o lugar. Mas não é só no sonho que tenho a sensação de dejàvu. Percebo que fazemos muitas coisas que vão se repetindo. Quanto mais envelheço, mais repito situações e também identifico-as.
A vida tem muito de repetição e isso é bem normal. Ando me acostumando...
Dezembro-40 mil vidas-envelheço. No espelho nunca esqueço meus 20 anos. Tudo é memória, o presente, sábio.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
domingo, 3 de agosto de 2014
Um pouco de Fernando Pessoa
APOSTILA (11-4-1928)
Aproveitar o tempo!
Mas o que é o tempo, que eu o aproveite?
Aproveitar o tempo!
Nenhum dia sem linha...
O trabalho honesto e superior...
O trabalho à Virgílio, à Mílton...
Mas é tão difícil ser honesto ou superior!
É tão pouco provável ser Milton ou ser Virgílio!
Aproveitar o tempo!
Tirar da alma os bocados precisos - nem mais nem menos -
Para com eles juntar os cubos ajustados
Que fazem gravuras certas na história
(E estão certas também do lado de baixo que se não vê)...
Pôr as sensações em castelo de cartas, pobre China dos serões,
E os pensamentos em dominó, igual contra igual,
E a vontade em carambola difícil.
Imagens de jogos ou de paciências ou de passatempos -
Imagens da vida, imagens das vidas. Imagens da Vida.
Verbalismo...
Sim, verbalismo...
Aproveitar o tempo!
Não ter um minuto que o exame de consciência desconheça...
Não ter um acto indefinido nem factício...
Não ter um movimento desconforme com propósitos...
Boas maneiras da alma...
Elegância de persistir...
Aproveitar o tempo!
Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro.
Meu cérebro está pronto como um fardo posto ao canto.
Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste.
Aproveitar o tempo!
Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos.
Aproveitei-os ou não?
Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros minutos?!
(Passageira que viajaras tantas vezes no mesmo compartimento comigo
No comboio suburbano,
Chegaste a interessar-te por mim?
Aproveitei o tempo olhando para ti?
Qual foi o ritmo do nosso sossego no comboio andante?
Qual foi o entendimento que não chegámos a ter?
Qual foi a vida que houve nisto? Que foi isto a vida?)
Aproveitar o tempo!
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino.
Álvaro de Campos
Aproveitar o tempo!
Mas o que é o tempo, que eu o aproveite?
Aproveitar o tempo!
Nenhum dia sem linha...
O trabalho honesto e superior...
O trabalho à Virgílio, à Mílton...
Mas é tão difícil ser honesto ou superior!
É tão pouco provável ser Milton ou ser Virgílio!
Aproveitar o tempo!
Tirar da alma os bocados precisos - nem mais nem menos -
Para com eles juntar os cubos ajustados
Que fazem gravuras certas na história
(E estão certas também do lado de baixo que se não vê)...
Pôr as sensações em castelo de cartas, pobre China dos serões,
E os pensamentos em dominó, igual contra igual,
E a vontade em carambola difícil.
Imagens de jogos ou de paciências ou de passatempos -
Imagens da vida, imagens das vidas. Imagens da Vida.
Verbalismo...
Sim, verbalismo...
Aproveitar o tempo!
Não ter um minuto que o exame de consciência desconheça...
Não ter um acto indefinido nem factício...
Não ter um movimento desconforme com propósitos...
Boas maneiras da alma...
Elegância de persistir...
Aproveitar o tempo!
Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro.
Meu cérebro está pronto como um fardo posto ao canto.
Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste.
Aproveitar o tempo!
Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos.
Aproveitei-os ou não?
Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros minutos?!
(Passageira que viajaras tantas vezes no mesmo compartimento comigo
No comboio suburbano,
Chegaste a interessar-te por mim?
Aproveitei o tempo olhando para ti?
Qual foi o ritmo do nosso sossego no comboio andante?
Qual foi o entendimento que não chegámos a ter?
Qual foi a vida que houve nisto? Que foi isto a vida?)
Aproveitar o tempo!
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino.
Será falsa a minha fama?
Será falsa a minha fama?
Existe um único corpo
Desnudo
Exposto
Miséria e corte
O cru
Às margens
Águas sujas que banham as margens do homem
A lama que veste
Ao passo que enoja e enobrece
Um verdadeiro Cão sem plumas
O homem em estado bruto, um rio a velar
Vestígios de um lodo opaco
Sutilezas de uma falsa imundície
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Capítulo IV
Capítulo IV
“Flores nos campos de aço...”
Mas não como antes.
Meu tempo foi comprimido a um instante incapaz do
infinito.
Despenquei do oitavo andar e nada me foi dito.
Eu piso nos campos de aço.
Flores e espinhos; pétalas no rastro do caminho deixaste
para mim.
(Del fuego)
terça-feira, 29 de julho de 2014
Nem tudo é amenidades, nem irmandade.
Nadar
Entrando na piscina
Os ouvidos mergulhados em silêncio
As braçadas e os pensamentos
A meditação e o mergulho
Os ouvidos mergulhados em silêncio
As braçadas e os pensamentos
A meditação e o mergulho
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Dói
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