terça-feira, 28 de abril de 2015

Enguiço





Uma ambivalência
nos teus restos de culpa.

Garrafas verdes e vazias 
com rótulos corroídos
Eu não conseguia mais desviar
daquela ferrugem.

Aquele ritmo
Enlouquecedor
O enguiço na ampulheta
O catarro 
na garganta
sem espaço 
para o escárnio.



quinta-feira, 23 de abril de 2015

A dor que não existe

Quando as imagens das internações se afastam do presente e as dores se afastam das tendências cruéis da mente, 

pode-se sentir uma memória esquisita. Um gosto doce em algo de tortura, uma fenda se abre naquela casa tão bem construída. A loucura.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

O cego.

Com a mesma desculpa, me pede a mesma reza.

Encosta a mesma descrença nas próprias dores em ruminação eterna. Em pensamentos que se repetem nas atitudes de cada dia.

O instinto nas mesas aconchegando medíocres palavras da boca pra fora.
Parecem corpos sem alma. Corpos que se distraem.
Carnes de todos os tipos desfilando em roupas de marca.

É fato a tendência dos que causam efeito, cheios de músculos.
Ideias antropofágicas.

O tempo se repete.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Em mim,

Não tinha mais cigarro, nem bebida. A conversa de bar não me era mais digerida.

Os vícios são outros.

não andava mais capengando e sabia que tinha que deixar de lado muitas coisas do passado. 
Quebrar com aquele vício de olhar para determinados desconsolos. Porque a doce tristeza não é boa.

A criança que nasce de um parto difícil nunca vai sentir. A dor não existe para ficar me encharcando e me conduzindo por enjoados momentos. Porque dor é dor, o sal e o açúcar é medido de forma sensata para cada organismo.

É ponderável o medo para cada ciclo. E não repetir dramas.

É preciso subir as escadas e se libertar de alguns hábitos para dar lugar a outros.

E a agora calar para ouvir para onde vão os passos, que estão na agulha.

Preciso ser eu, somente. E isso não é nada chato.
Para dormir em qualquer canto de mim.



domingo, 12 de abril de 2015

Pedra de sangue.

Decidiu entre dois passados. Se interpunham por todo o tempo. Impressões manifestadas e reconstruídas.

Memórias bem quistas, o cheiro de Chanel no linho, no tweed. 

Camisetas de malha que se esgaçam. A incoerência de um tempo que é tão fácil chegar ao vazio.  E o mundo repete as fases. Posturas juvenis* por existências. Portos sem cais. Ao amargo, uma trava na língua.

Entrelaçar os fios: Amor líquido. Vermelho vazio. Pedra de sangue.




quinta-feira, 2 de abril de 2015

Memória.

Sonhei que tinha muitos relógios de pulso sobre meu quarto e consultava todos. Cada um com uma referência diferente. Uma reprodução da realidade embalada, era um presente de minha terapeuta.
Morava bem perto do mar. E dentre minhas cadernetas estava cenas de 2005 bem descritas. 

Um assunto muito revisto em minha memória. Como entender um momento que poderia ter sido algo abortivo em minha existência. O lugar que tenho medo de visitar em minha mente, mas quem sempre reconduz meus momentos. E eu decidi depois de tempos ser muito minuciosa em tratar das falácias e de me aprofundar nas palavras que tenho em qualquer relação da vida. 

Estou há dez anos sempre olhando para a sala que quase me perdi. Mas acredito que não existe irreal nas articulações da mente. Ainda não consegue se explicar o que sente o espírito em sua totalidade. É ainda um mundo cifrado. 

Em 2005 o surreal se tornou evidente em minha vida, mesmo com uma ocorrência indigesta. Reencontrar o fio da vida foi coisa bem longa. As tendências mentais estão todas por trás de toda conduta moral que tenho que ter em nessa vida. O medo de perder o fio outra vez é constante e como luto. As linhas são tênues demais e uma pessoa pode sair de um polo a outro num instante. 

Percebo que sempre tangencio o surreal, mas também percebo que ainda não é o momento. Às me encontro em uma gaiola por necessidade. necessidade de me aproximar do tempo das pessoas que me comunico. Mas sempre querendo a liberdade de me utilizar de tudo que sinto e que não posso trocar com mais ninguém por completo.

Então vivo trocando fragmentos. Meias conversas entre diálogos. 
O medo do que se propõe nas palavras. 



Dói

  Em casa me dói a alma a tua anti-presença Que me deixa sentir a dor da ausência Palavra mais falada  é o silêncio Mudez que faz o tempo co...