segunda-feira, 15 de junho de 2020

Meu corpo em vermelho






Chegou em casa e não dormiu por inteiro.

Traiu a si mesma duas vezes naquela semana. Lembrou-se das palavras de Lory, de tudo que não era. Naquela semana entrou no mar. Pensava em Joana muito mais que em Lídia. Estava sozinha outra vez. Tremores. Lembrava tanto de Cecília, de tudo que era novo e não se permitia. medo de perder e tudo era lacônico. eram palavras sem órbita, saudade.

Certa vez eu vi na beira da praia o corpo de uma baleia, era mesmo para eu não esquecer a sensação de estar morrendo. O grito estirado em mim. O que se diz no leito de morte? Com os pés na areia continuei o caminho e o grito ficou para trás.




quinta-feira, 11 de junho de 2020

Tempo amargo





Havia em mim o desejo da mudança.
No tempo de alongadas noites, a quarentena era sempre fria. sentimentos tranquilos e imperfeitos. Internet e seu pequeno mundo diante dos meus nervos inconstantes.
 Momento amargo de vida.

domingo, 7 de junho de 2020

terça-feira, 12 de maio de 2020

Na casa das cores.

Poter Auto Colante - O Sonho - Pablo Picasso (90cm X 64cm) - R ...
O sonho - Picasso



São Pessoas
Advindas 
do tempo


 Ao lado da cama as botas, a capa e o guarda-chuva.
E quando estiver diante do Sol,
E quando estiver diante da chuva
Nervos
de Alma 
Madura.


Na casa das cores o sonho é nobre
 a liberdade é sã. 







quinta-feira, 30 de abril de 2020

Palavras vividas por dentro.







Eu gosto do Ricardo, de um mineiro, da poesia. eu gosto do silêncio que cabe em cada linha poética que corresponde não corresponde a cada vida, ao psiquismo das consciências intermitentes. Palavras vividas por dentro, poesia. Estendo uma canga na praia, deito e olho para o Céu, o Sol ainda quente sem filtros, olhos que não aguentavam muito tempo. Fechar às pálpebras e ter a vida. Um corpo que escuta e não vê. Que sente o calor na beira e depois volta a enfrentar o que está nas periferias, a ilusão entre as paredes grafitadas. Desenhos coloridos nas paredes parecidos com as pinturas das cavernas, tudo que se refere ao que podemos ser: desenhos e muros, periféricos, inconstantes enquanto que por dentro, dentro de cada ser existem cores intercaladas, muitas vezes entre cinza e cinza, desenhos para sustentar a vida e suportar até chegar a morte. vida que nada é fatalista.

o que não sei rejeitar
o que não aprendi
Exílio.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Tempo, tempo. Vida,vida.








O sonho foi mais ou menos assim.

A regressão começou em 1997, minha vó me fez lembrar daquele ano com uma certeza maior de que eu não era uma imagem transfigurada, não era alguém com sentimento de culpa. Ao redor de mim estavam as mesmas pessoas que convivi naquela época. Eu pude entender melhor as conjecturas e contemplei o meu silêncio de tranquilidade.

Estive em minhas escolas sempre com minha mãe ao meu lado, mostrando para mim aqueles dias. Aprendi a perdoar o passado. O tempo retrai os medos, sintetiza e amadurece. O passado não exige mais como antes. A vida, a vida.

O rosto mostrava o corpo amizade a calda de pavão que não existe mais. É preciso entender a saudade por inteiro, reverter os fatos. Devolver o passado ao passado. Tempo, tempo.

Dói

  Em casa me dói a alma a tua anti-presença Que me deixa sentir a dor da ausência Palavra mais falada  é o silêncio Mudez que faz o tempo co...