terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Canto






Ensina-me a comer pipoca.

Trava-me a mandíbula
Algumas telas mentais

cega
fadiga

O Exílio
meu estado de espírito

Sintonia

ultrapassar
medíocres
lembranças

O canto.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Parto 32

Mater ausência
Madreasta
Maciça, reativa,
inacessível.
.
O medo
do medo

fragmentada
adoecida
entremeada
pela fuga

Ser eu
desafeto
Ser eu
arguta
Imagem Auditiva.





Olhos 
embalam 
e não 
embala
a bala
que aponta

Mater amada
Veste pronta para partida.

Os olhos na mesa
O corpo e a beleza 
E parto 
ouvidos a ti-mágoas
Anti matéria
desassossego.






segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Assim à toa...





Aquela onda longa se desfaz na imensidão e eu sentadinha revendo os dias, sentindo uma completude.
Nunca vi felicidade assim...
E quando a morte acaba é que a dor refaz a vida.
Olhos limpando os horizontes e mostrando que mesmo sem estar pronta, estou de fato completa.
As músicas me lembram quase como os cheiros e me faz sentir um amor honesto.
Os vazios que enlouquecem, continuam vivos e vez por outra ocultam a minha essência.
Mas a essência não se mostra assim à toa...


Divulguei dentro de mim todos os corpos que vagavam pela minha memória. Amar é sentir muito além do apego. É ter tudo pronto dentro dos confins da alma.
Afinal o nascimento do amor é abstrato e incapaz de impedir que as pessoas voem, o contato físico é quase nada diante da excelência do cativar alheio.

Amor além das pálpebras.

domingo, 28 de dezembro de 2014

O amor de Melissa




Durante a infância Melissa não entendia o quanto buscava em si a certeza de toda felicidade que trazia consigo. Antes de reencarnar pediu para ser especial a sua missão na Terra.
Nasceu filha de pais importantes. Pessoas que encontraram seus caminhos em ofícios artísticos, era assim descendente de dois tipos de elite: intelectual e artística. Melissa tinha sensibilidade demasiada já aos 8 anos aprendera a tocar um instrumento, não tinha noção dos dotes que foram ressurgindo de outras vidas. Se sentia mal. O fluxo criativo era maior do que a maioria das pessoas que estavam em sua vida. Começou a se boicotar, a sofrer, a ver e sentir limites nas habilidades que já dominava. Era como repetir de ano e ter paciência para acompanhar pessoas que engatinhavam.

Seus pais mudaram de cidade, para um lugar mais possível para Melissa. Mas quando chegou no seu primeiro dia de aula todos olharam com estranheza para ela. Foi assim que percebeu que o formato do seu rosto era diferente. Melissa tinha síndrome de down. Para ela não era doença, pros outros sim.
Melissa era especial e não entendia a vida estranha que os outros levavam.

Era difícil entender o ritmo das pessoas ao passo que cada vez era menos carne e mais espírito. As pessoas faziam movimentos contrários. A festa do mundo era quase um tormento. Viver era solitário e solitário não era ruim. Era preciso se guardar na solidão para realizar os projetos que tinha por fazer aqui. Desde cedo sabia os propósitos registrados em sua alma. Era preciso entender o mundo e se encontrar nos lugares certos para conseguir desfazer as promessas e não vagar de forma perdida por uma encarnação. Para isso era preciso se afastar de preocupações vazias e se encontrar o raciocínio e das influências positivas. Abster-se do prazer puramente carnal. Entender e estar com as pessoas era importante. Fazer trocas de impressões dessa e de outras vidas. Reencontrar laços de afeto pois o amor é o centro da motivação do universo. Quando havia a rejeição por incompreensão é preciso amar mais ainda. O amor compreensivo de quem sabe que pode ser maior do que a falta de escrúpulos e a hipocrisia gratuita.

Nada mais elegante do que poder ver além sem ferir e ferir-se com a incompreensão.
Melissa foi uma mulher afortunada por valores. Era mesmo um ser especial.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Flor de pitanga







Naquele dia sentamos diante da chuva fina, o cheiro de terra dentre o teu casaquinho mostarda. Sentia o cheiroso daquele perfume, uma fragrância de qual me retorna no corpo de outras pessoas. A necessidade de ter mistérios dentro desse apego. Viver para não encontrar. Só de olhar de longe o teu passadio estendo todas vísceras do conforto que me passas.
Parece que vim pra te observar, acompanhar o fluxo da tua jornada, sabendo da nossa ligação de tempos. É como tentar entrar no mar e tentar preencher todo espaço. Perceber além do recorte e ter todo o oceano sem calcular nenhuma métrica.
sentimentos libertos,

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Velas todas acesas

E assim todas a velas se quedaram acesas.
Que a saúde esteja sempre pronta, e o amor? Ah... sempre!
Que venha 2005!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

As cinzas

Adoro quando você vem e me acomoda no meu desespero.
Nasci com as golas alvas e engomadas.
Irreversível é não cortar os tecidos em alta costura
E ter que fumar cigarros baratos
Por tabela.

Quando já se é ambidestra
Se tem  pulso certo
Para tantas horas
O olho fixo
No vão





Dói

  Em casa me dói a alma a tua anti-presença Que me deixa sentir a dor da ausência Palavra mais falada  é o silêncio Mudez que faz o tempo co...